Reconstruindo Vidas: O Protagonismo do Novo Esteio na Retomada Comunitária

O projeto Reconstruindo Vidas, articulado através do portal Eu Amo Esteio, tem se consolidado como a principal vitrine da resiliência e organização popular da cidade. Após as devastadoras cheias de maio de 2024, o bairro Novo Esteio emergiu não apenas como uma área atingida, mas como um “laboratório vivo” de autogestão e solidariedade. Sob a liderança da sua Comissão de Moradores, a comunidade transformou a dor da perda em uma mobilização sem precedentes pela dignidade e por obras estruturantes.

A Comissão de Moradores: Liderança e Vigilância Política

A Comissão de Moradores do Bairro Novo Esteio é hoje reconhecida como o movimento popular mais organizado e atuante da cidade. Liderada por figuras como a advogada Mariza Iracet, o músico Daniel Mello, além de Adair Luiz Augusto, Odete Diogo, Reinaldo, Carlos (Índio) e Miro, a comissão atua na linha de frente da representação política e social.

  • Mobilização por Obras: Em maio de 2025, a comissão liderou uma caminhada histórica com mais de 500 pessoas até o centro de Esteio, exigindo a execução de diques, casas de bombas e desassoreamento.
  • Vigilância e Cobrança: O grupo mantém uma pressão constante sobre o poder público, participando de audiências na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores para cobrar transparência no cronograma de obras de combate às enchentes.
  • Cuidado com o Bairro: Além das grandes obras, a comissão fiscaliza itens de zeladoria diária, como bocas-de-lobo entupidas e manutenção de praças.

Economia Solidária e Criativa: A “Âncora” da Reconstrução

Uma das estratégias centrais do projeto Reconstruindo Vidas é a utilização da Economia Solidária como “âncora estrutural” para a recuperação material e emocional. Em parceria com o movimento Nossa Área (coordenado por Charles Scholl) e o Coletivo Há Braços, a comissão de moradores implementou um modelo de “simbiose produtiva”.

  1. Feiras Populares: Eventos realizados em datas como 15 de novembro e 13 de dezembro transformaram a praça ao lado da Escola Irmã Sibila em centros de convivência e geração de renda.
  2. Qualificação de Renda: As feiras incentivam núcleos da comunidade a comercializar produtos locais — como pães, lanches e artesanato — criando um fluxo econômico sustentável que auxilia as famílias em vulnerabilidade.
  3. Arte como Cura: O Coletivo Há Braços (composto por Daianny Costa, Rosângela Mendes, Rosane Gouvêa e Isabel Sommer) defende que a arte é um catalisador de resiliência, essencial para combater o isolamento e processos depressivos pós-trauma.

Ações Simbólicas e Inovação Urbana

O protagonismo dos moradores também se manifesta na transformação do espaço físico e no uso de novas tecnologias:

  • Jardim Comunitário: O plantio de um jardim em formato de coração na praça da Escola Irmã Sibila foi definido como um “acordo de coexistência firmado com o futuro”, unindo diferentes gerações no cuidado com o meio ambiente.
  • Bioeconomia Circular: O bairro abriga um projeto inovador de fungicultura urbana, onde uma garagem foi adaptada para o cultivo de cogumelos shimeji, utilizando resíduos agrícolas e gerando adubo orgânico para os jardins locais.
  • Inclusão Digital: O site Eu Amo Esteio atua como uma ferramenta estratégica de visibilidade, lançando catálogos virtuais e lojas online para os artesãos locais, rompendo a “bolha” das feiras físicas e alcançando novos públicos.

Perspectivas para 2026

O planejamento da comunidade para 2026 inclui a instalação do “Banco Vermelho” (campanha contra o feminicídio), a formalização jurídica de empreendimentos solidários e a ampliação das redes de cooperação com instituições como o IFSUL. O Novo Esteio prova que, através da autogestão e da solidariedade, é possível reconstruir não apenas estruturas físicas, mas o próprio tecido social da cidade.

Charles Scholl – MTE 22402/RS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *