Coletivo Há Braços e Nossa Área Planejam Continuidade de Ações Transformadoras e Fortalecimento do Artesanato em Esteio

ESTEIO – No último dia 23 de fevereiro de 2026, o movimento Nossa Área – Movimento Pela Economia Solidária e o Coletivo Há Braços realizaram uma reunião estratégica para qualificar e dar continuidade aos projetos de reconstrução comunitária e autonomia econômica iniciados em 2025. O encontro, liderado pelo coordenador Charles Scholl e pelas integrantes Dainny Costa, Rosane Rocha Gouvêa, Rosângela Mendes de Ávila e Isabel Sommer, focou em novas frentes de atuação territorial e no uso de tecnologias de comunicação para impulsionar a economia local.

Comunicação Estratégica e a Marca “Eu Amo Esteio”

Um dos pontos centrais do debate foi o papel fundamental do site “Eu Amo Esteio” (euamoesteio.com.br) como ferramenta de visibilidade para o setor artesanal. Scholl destacou que o portal deve atuar como uma esfera pública de debate e inclusão digital, conectando técnicos de informática e publicitários aos produtores locais para superar o isolamento comercial.

O coletivo diagnosticou que o público das feiras tradicionais ainda é restrito a cerca de algumas pessoas conhecidas e que o site é a ferramenta estratégica para romper essa bolha, alcançando novos moradores que ainda não conhecem a produção solidária da cidade. Como ação imediata, o grupo planeja o apoio institucional à Artesul (Associação dos Artesãos de Esteio), que comemora 38 anos em março, unificando o artesanato local sob a marca identitária “Eu Amo Esteio” para estimular o consumo de base comunitária.

Retomada no Novo Esteio: Jardim Comunitário e Combate à Violência

O planejamento para 2026 prevê a retomada intensiva das ações no Bairro Novo Esteio, duramente atingido pelas cheias de 2024. O projeto do jardim comunitário na praça ao lado da Escola Irmã Sibila será melhor estruturado, reforçando o formato de coração, simbolizando a união da cidade, e utilizará materiais de reaproveitamento, como pedras e telhas, para substituir o plástico. Além disso, o jardim receberá bioinsumos provenientes do substrato exaurido da produção de cogumelos da Micélio, reforçando o ciclo de bioeconomia circular.

Em uma forte frente de incidência social, o coletivo apoiará a Comissão de Moradores na implementação do “Banco Vermelho”. Trata-se de uma campanha internacional de conscientização e combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. Esta ação será levada à Comissão de Moradores do Novo Esteio, que deve iniciar seus encontros nos próximos dias para organizar a instalação do mobiliário produzido pela própria comunidade. O projeto dialoga com a necessidade de letramento social e espaços de acolhimento para enfrentar as opressões estruturais.

Resgate de 2025 e o Planejamento para a Autonomia

As ações planejadas para este ano herdam o sucesso da Feira Popular de Economia Solidária e Criativa realizada em 15 de novembro de 2025, que consolidou o plantio do primeiro jardim comunitário como um “acordo de coexistência firmado com o futuro”. Naquela ocasião, o Coletivo Há Braços e a Nossa Área provaram que a Economia Solidária é o barco que permite navegar as crises climáticas e econômicas, tendo o cuidado e a consciência crítica como leme.

Durante o mês de fevereiro, a Nossa Área realizou um intenso ciclo de planejamento reforçando a autonomia total das iniciativas econômicas do movimento. Entre as principais questões planejadas que agora entram em execução, destacam-se:

  • Expansão da Micélio: Automatização do laboratório de fungicultura urbana e comercialização de cogumelos via aplicativo de assinaturas.
  • Formalização Jurídica: Adequação dos empreendimentos à nova Lei da Política Nacional de Economia Solidária (Lei 15.068/2024), buscando o registro como Empreendimento de Economia Solidária (EES) para acesso a mercados institucionais.
  • Inclusão Digital e App: Lançamento de uma nova etapa de digitalização do site “Eu Amo Esteio” em 23 de março, integrando uma loja virtual para artesãos.
  • Redes de Cooperação: Fortalecimento de parcerias com o IFSUL e o Fórum Gaúcho de Economia Solidária para promover relações sociais, políticas e econômicas mais qualificadas em Esteio.

Este esforço organizativo visa garantir que a organização social aconteça promovendo dignidade, renda e resiliência para as famílias esteienses.

2 comentários

  1. Com muita alegria, vejo os novos passos, destes encontros fundamentais, para a cultura e a formação do conhecimento social, da cidade de Esteio. Parabéns para todos que abrem espaços e fazem fluir a cooperação em Esteio.

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