A comunidade do Bairro Novo Esteio celebrou a solidariedade e a organização popular na manhã do dia 13 de dezembro, com a realização da festa de Natal na praça ao lado da Escola Irmã Sibila. O evento, que se consolidou como um ponto de encontro e qualificação das relações familiares na comunidade, reafirmou a crença na melhoria da qualidade de vida no bairro, oferecendo um contraponto ao sentimento de desmotivação que por vezes aflige o coletivo local. A festa contou com atrações artísticas, a presença do Papai Noel, o sorteio de uma cesta de Natal, e a produção de galeto, que contribuiu significativamente para a mobilização comunitária. A Festa de Natal foi organizada pela Comissão de Moradores do Bairro Novo Esteio, uma organização que tem demonstrado ser o movimento popular mais organizado e atuante de Esteio.


A Comissão de Moradores: Novo Modelo de Movimento Popular
A Comissão, que inclui membros como Mariza, Daniel, Adair, Reinaldo, Carlos (Índio), Miro e vereador Fabio Neumann, do PT, está retomando o papel das tradicionais associações de moradores, mas com uma dinâmica de trabalho mais atualizada. Eles se relacionam ativamente com os moradores na representação política, econômica e social.
A atuação da Comissão se concentra na defesa dos interesses do bairro, realizando encontros para tratar tanto de questões estruturais (bocas-de-lobo entupidas, grama alta, buracos na rua) quanto de iniciativas de qualificação de renda. Eles buscam criar um fluxo econômico local cada vez mais sustentável e consciente. Também apoiam atividades econômicas como a venda de lanches, pães e galetos feitos por núcleos da comunidade para qualificar a renda de moradores.


A parceria com a prefeitura também se mostrou essencial para a realização dos eventos comunitários. A limpeza da praça e a disponibilidade de energia para a festa de 13 de dezembro foram fundamentais para o sucesso da atividade comunitária. A organização da Festa de Natal e a atuação da Comissão de Moradores demonstram, na prática, que a comunidade optou pela cooperação e pelo trabalho associado para construir uma sociedade mais justa e sustentável, transcendendo a lógica da competição.










Sementes lançadas pelo Coletivo Há Braços: Arte, Cultura e Resiliência
A iniciativa de promover atividades de reconstrução comunitária em Novo Esteio, bairro fortemente atingido pelas cheias de 2024, foi impulsionada pelo Coletivo Há Braços, que tem como princípio fundante a solidariedade, simbolizada por um abraço e pela disposição em somar esforços na reconstrução. O coletivo foi organizado a partir de um encontro de mulheres artistas em 4 de agosto, com o objetivo de planejar ações de solidariedade que promovessem o espírito de resiliência. O grupo define a arte como um elemento catalisador de cognições sociais, essencial para promover ativamente o sentimento de resiliência e enfrentar o isolamento e a falta de perspectiva que podem aprofundar processos depressivos decorrentes dos traumas pós-cheias.


O Coletivo Há Braços é composto por quatro mulheres com formações diversas e complementares:
• Daianny Madalena Costa: Foi a responsável por promover o encontro inicial e é doutora e mestre em educação.
• Rosângela Mendes de Ávila (Rosângela Farofa): Escritora, integrante do coletivo Mulheres de Escrita, professora da rede estadual, especialista pós-graduada em literatura, além de artista e artesã.
• Rosane Gouvêa: Ativista da educação, da cultura e da defesa do meio ambiente.
• Isabel Sommer: Atua na produção de fitoterápicos, sendo também artista visual e herbalista.
A Âncora Estrutural da Nossa Área e o Apoio do IFSUL
O sucesso das iniciativas no Novo Esteio, como a Festa de Natal, é sustentado pela capacidade de articulação da Nossa Área – Movimento Pela Economia Solidária. Liderada pelo seu coordenador Charles Scholl, a Nossa Área atuou em parceria com o Há Braços desde o início da articulação no bairro.
A Nossa Área é a responsável pela engenharia social organizada que promove a articulação de movimentos e empreendimentos locais. Seu trabalho se baseia na visão da Economia Solidária como a “âncora estrutural” ou “solo fértil e bem estruturado” necessário para transformar o potencial da economia criativa em realidade social com distribuição de renda e de riquezas, contrapondo-se à cultura do lucro individual e competição, que dificultam a recuperação das famílias abaladas pelos eventos climáticos extremos.


A Festa de Natal no Novo Esteio contou com atrações artísticas, incluindo Daniel Mello, Rodrigo Fontoura, seu irmão Igor, e Derek do Cat Music. A inclusão da economia criativa e do serviço artístico-cultural (voz e violão, e sonorização) em feiras no bairro foi viabilizada pelo Projeto Multiação, 4ª edição, do IFSUL (Instituto Federal Sul-rio-grandense). O Multiação tem como objetivo apoiar a comercialização de empreendimentos solidários e estimular a organização autogestionária. O mandato do vereador Leo Dahmer, do PT, viabilizou o programa com a captação de recursos por meio de emenda parlamentar do deputado federal Elvido Bohn Gass, do PT. A sinergia entre a economia solidária e a economia criativa gera trabalho e renda de forma associada, sendo as feiras uma nova fonte de renda para músicos e artistas.
Charles Scholl Mtb:22402/RS
Veja aqui as primeiras edições da Feira de Economia Solidária e Criativa organizada em parceria da Nossa Área com a Comissão de Moradores.








