O Tempo como Horizonte Ético e o Descaso com a Aura da Escola Gaúcha

Existir é mais do que ocupar um espaço físico; é habitar um tempo de semeadura onde cada gesto nosso deveria ecoar como um compromisso com a eternidade. Nossa breve passagem por este mundo só ganha sentido pleno quando honramos a aura do humano — aquele valor intrínseco e irrepetível de cada ser que não pode ser reduzido a um valor de troca. No entanto, no Rio Grande do Sul, assistimos a um doloroso esvaziamento desse horizonte transcendental. A educação, que deveria ser o palco da nossa vocação ontológica para o “ser mais”, está sendo asfixiada por uma lógica que troca o pulsar da vida pela frieza das métricas de mercado.

Essa descaracterização do ensino público reflete a falta de compromisso ético do governo Leite, que sequer aplica o mínimo constitucional de 25% em educação, evidenciando a ausência de uma política pública concreta de investimento. Sem o aporte de recursos necessários, a qualidade do ensino torna-se uma meta inalcançável, ferindo o direito das gerações presentes e futuras de receberem um legado melhor do que o atual. O cenário de descaso é agravado pelo confisco das aposentadorias e pela destruição do plano de carreira de quem dedicou a vida a educar.

O desrespeito à dignidade docente atinge um ponto crítico na atual política de gestão de pessoas. O Governo Leite não tem realizado a chamada de professores aprovados em concurso e, pela primeira vez, mais de 52% dos docentes ativos da rede estadual possuem apenas contratos temporários ou emergenciais. Essa ausência de segurança mínima e estabilidade gera uma alta rotatividade, permitindo um controle excessivo do Estado sobre o Magistério e resultando em diminuição salarial. Como educadores e educandos se educam em comunhão, essa precarização do vínculo profissional impacta negativamente a continuidade pedagógica e a qualidade da educação gaúcha, hoje situada entre as piores do país em alfabetização.

Ao tratar a educação como mera mercadoria e burocratizar o saber com planilhas infinitas, o governo ignora que a escola é um organismo vivo e um espaço de acolhimento emocional. Submeter o magistério à sobrecarga de trabalho e à exaustão fere a ética universal do ser humano e compromete a formação para a cidadania. Como guardiões da sociedade, nossa missão racional e ética é resgatar a dignidade de quem educa e garantir que a escola pública volte a ser o verdadeiro berço da autonomia e da liberdade.

Selvino Scheibel

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