O movimento Nossa Área – Movimento pela Economia Solidária, coordenado por Charles Scholl, tem se consolidado como um agente fundamental na transformação social e econômica de Esteio. Através de uma atuação que une teoria e prática, o coletivo busca enfrentar as desigualdades sistêmicas e promover a dignidade por meio da cooperação.
01) O que é Economia Solidária?
A Economia Solidária é um modelo de produção, comercialização e consumo responsável que coloca o ser humano no centro da atividade econômica. Diferente da lógica do lucro exacerbado, ela se fundamenta na autogestão, na cooperação e na solidariedade. Estruturalmente, organiza-se por meio da propriedade coletiva e da gestão democrática, onde vigora o princípio de “uma cabeça, um voto”. É, acima de tudo, a ética dos direitos humanos aplicada às relações econômicas.
02) Como a economia transforma territórios: O exemplo de Esteio
A transformação territorial ocorre quando a riqueza circula dentro da própria comunidade, fortalecendo o comércio local de baixo para cima. Em Esteio, exemplos práticos dessa dinâmica incluem:
• Reconstrução do Bairro Novo Esteio: Após as cheias de 2024, a economia solidária foi utilizada como ferramenta para a recuperação material e emocional dos moradores.
• Apropriação do Espaço Público: O plantio de um jardim comunitário e árvores nativas na praça da Escola Irmã Sibila transformou o local em um símbolo de resiliência e união.
• Dignidade e Trabalho: Projetos como a fungicultura e a organização de feiras qualificam as relações no bairro, valorizando a identidade local.















03) Tecnologias da comunicação e o papel do site “Eu Amo Esteio”
As tecnologias de comunicação são essenciais para garantir transparência e visibilidade aos empreendimentos solidários. O site Eu Amo Esteio atua como uma esfera pública de debate independente, livre de amarras institucionais. Sua função estratégica inclui a inclusão digital, superando impasses de baixa comercialização e abrindo novas alternativas de mercado para artesãos e produtores que antes estavam distantes desses ambientes. Além disso, o site promove o “amor pelo território”, servindo como um espaço de diálogo que foge de polarizações.
04) A Estratégia da Fungicultura
A fungicultura urbana, com foco no cultivo de shimeji branco, é uma das frentes mais inovadoras da Nossa Área. Realizada em espaços adaptados, como uma garagem em Esteio, baseia-se em quatro eixos:
1. Bioconversão de Resíduos: Utiliza subprodutos agrícolas (palhas e cascas) que seriam descartados, transformando-os em substrato.
2. Segurança Alimentar: Produz uma proteína de alta qualidade, nutritiva e saudável para as famílias.
3. Viabilidade Urbana: Não exige grandes extensões de terra e oferece alta lucratividade em ciclos curtos.
4. Ciclo Fechado: O resíduo final (substrato exaurido) retorna à terra como adubo ou biofertilizante, regulando o solo sem impactos ambientais.
05) A estratégia das Feiras em Esteio
As feiras são concebidas como uma simbiose produtiva entre a economia solidária e a economia criativa. Scholl utiliza uma metáfora para explicar: a economia solidária é o “solo fértil” (focado na cooperação), enquanto a economia criativa (arte e cultura) é a “semente de alto valor”. Juntas, elas garantem que a criatividade não seja cooptada pelo lucro individual, mas resulte em uma colheita diversificada com distribuição de renda. Exemplos como a Feira Popular do Novo Esteio e o Rock na Praça demonstram como esses eventos integram segmentos que tradicionalmente não se comunicam, gerando prosperidade local.
06) Vantagens da organização social da Nossa Área
A organização promovida pelo movimento gera impactos multidimensionais:
• Psicológicas: Combate o isolamento depressivo pós-calamidade e resgata a autoestima e a resiliência.
• Sociais: Cria relações de qualidade, fortalece laços de vizinhança e inclui grupos vulneráveis.
• Econômicas: Gera trabalho e renda digna, reduzindo a dependência da exploração salarial.
• Políticas: Estimula a cidadania ativa e a gestão democrática.
• Culturais: Valoriza a identidade afro-gaúcha e local, usando a arte como catalisador de mudança social.
Para entender esse trabalho, imagine a organização como um barco de convivência solidária: a Economia Solidária é o casco robusto que nos mantém flutuando sobre as crises, enquanto o cuidado e a consciência crítica são o leme que nos conduz para um futuro mais justo.





Admiro por demais esse grande trabalho com pessoas de grande sabedoria a frente do projeto que deveria ser implementado em todos municípios. Vamos juntos e fazer crescer cada vez mais