O caminho para uma educação de excelência é conhecido e trilhado por nações que priorizam o futuro de seu povo: fortalecimento das escolas públicas com investimento direto, valorização rigorosa dos profissionais da área e uma gestão verdadeiramente democrática. No entanto, o que assistimos hoje no Rio Grande do Sul é o absoluto oposto desse ideal.


Sob o governo de Eduardo Leite, testemunhamos um processo sistemático de desmonte. Deixou-se que a estrutura física de nossas instituições — telhados, redes elétricas e instalações básicas — sucumbisse ao tempo e ao descaso. Agora, no “apagar das luzes” de sua gestão, o governo apresenta a suposta “solução”: a venda de 98 escolas públicas estaduais, transferindo sua administração para empresas privadas. O que era um direito social garantido pelo Estado está sendo convertido em um reles negócio de mercado.
O projeto de Parceria Público-Privada (PPP) prevê o repasse escandaloso de R$ 4,5 bilhões em recursos públicos para a iniciativa privada. É dinheiro que deveria irrigar o sistema público, mas que será drenado para garantir o lucro de empresários. É preciso ser claro: a lógica do mercado é o lucro, e o lucro jamais caminha de mãos dadas com a qualidade do ensino. O projeto é tão desprovido de sentido público que pretende entregar até mesmo escolas que foram recentemente reformadas com o dinheiro do contribuinte.
Ao leiloar essas escolas com contratos de 20 anos, o Estado abre mão de sua responsabilidade sobre um serviço essencial. Já vimos esse filme antes. O que aconteceu com nossa água, nossa energia, nossas estradas e setores da saúde? Após a privatização, o serviço piorou e o custo subiu, pois o capital não tem compromisso social. Entregar a administração escolar para grupos privados é como perguntar à raposa qual a melhor forma de cuidar do galinheiro.
O que está em jogo é a própria essência da aprendizagem. Essa transformação da educação em mercadoria ameaça diretamente a autonomia pedagógica, precariza o trabalho dos educadores e ataca a carreira daqueles que dedicam a vida ao ensino. Além disso, aprofundará a desigualdade: empresas privadas não têm interesse em investir em escolas localizadas em regiões pobres, onde o retorno financeiro não é atrativo.
Infelizmente, esse ataque ocorre sob o silêncio — ou até a anuência — de órgãos de controle, de parte da mídia e de políticos que se dizem “apoiadores do povo”, mas que no fundo defendem interesses corporativos.
A educação não pode ser tratada como mercadoria. Ela é um direito social e um pilar da cidadania. Não podemos permitir que o lucro do capital seja colocado acima dos interesses da comunidade escolar e do futuro de nossos jovens. Fortalecer a escola pública é o único caminho; vendê-la é um erro histórico que as futuras gerações não nos perdoarão.



