Eu Amo Esteio – uma alternativa local à sustentabilidade 

Esteio é uma cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre em que a urbanidade domina praticamente todo seu território. Apesar da conurbação, em que a malha urbana da região torna suas fronteiras indistinguíveis, a cidade possui suas características próprias marcadas pela cultura local e seus costumes. É o menor município do Rio Grande do Sul em área territorial, com apenas 27, 676 Km². Mas os esteienses são gigantes, reconhecidos nacionalmente como a capital nacional da solidariedade. 

Em meio às grandes cidades, tais como Canoas, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha, apartada pelo Rio do Sinos da cidade de Nova Santa Rita, é a cultura e o comportamento que edifica a personalidade esteiense. Os grandes problemas vividos pelos gaúchos, que amargam décadas de diminuição de sua importância econômica e demográfica na Região Sul e no Brasil, não ficam menores nesse território por conta de seu tamanho. 

Na pandemia de Cvid-19, a cidade liderou o número de casos e de mortes por 100 mil habitantes, conforme números amplamente divulgados em dezembro de 2020. Naquele cenário, 7,9 mil pessoas perderam a vida por conta da pandemia no Rio Grande do Sul. Desse total de casos, 34% se concentravam em apenas 12 municípios. Em Esteio, com 83 mil habitantes, concentrava 4.417 casos confirmados com 110 óbitos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. (Veja a fonte)

Essa tragédia sanitária deixou marcas que permanecem até os dias de hoje. Modificou a cultura da cidade, trouxe impactos econômicos e novos comportamentos. No setor econômico as grandes redes e a indústria, que não dependem da cultura e do consumo local para sua sobrevivência, encontraram em outros territórios alternativas para construir sua resiliência e superação, ainda assim com muitas dificuldades. 

Com a Gládis e Eulógio na Feira do dia 21 de março

No entanto, os pequenos empreendimentos e, sobretudo os artesãos, convivem com as mudanças no comportamento do consumo que afetam suas estratégias tradicionais de comercialização. O movimento social agiu para produzir alternativas à economia local. A Nossa Área – Movimento Pela Economia Solidária buscou parcerias em outros setores econômicos já no início do período após a pandemia. As primeiras iniciativas do coletivo consistiam em construir pontes com setores da economia criativa, que compartilham problemas, mas não tinham a cultura de agir em sintonia. 

Ainda que a realização de feiras com a participação de músicos, bailarinos e shows aumentaram o fluxo de pessoas, e por consequência a comercialização, os resultados foram insuficientes. Artesãos passaram a se articular regionalmente e buscar espaços em Porto Alegre e cidades vizinhas. Pontualmente foi uma solução, que deixava o real problema da sustentabilidade da economia local de lado. 

DilLi e Nossa Área desenvolveram projeto para fomentar economia local

A Nossa Área passou a procurar parceiros na área da tecnologia com o objetivo de ampliar novos mercados por meio da internet. Juntamente com a Pigor Produções, construiu um site com informações da cidade e com o objetivo de promover a inclusão digital dos artesãos. Nasce assim o site eu amo esteio, lançado em 15 de março de 2025.

Neste ano, em parceria com a DigLi, o site lança a loja virtual para promover os produtos da Associação dos Artesãos de Esteio – Artesul. O lançamento ocorreu no dia 21 de março, data em que a Artesul comemorou 38 anos de atividade em Esteio.

Lilian fotografando os produtos no decorrer da feita para a Loja Virtual

Nesse dia foi realizada uma feira de artesanato no Espaço Oliveira Silveira, quando a fotógrafa Lilian Martins Fontoura produziu as fotos dos produtos do artesanato local para a loja online. A iniciativa da loja virtual busca restabelecer a vitalidade econômica do setor do artesanato e favorecer as dinâmicas de consumo locais a partir das intervenções culturais associadas às novas tecnologias. Uma aposta na transcendência e no futuro da sustentabilidade do artesanato esteiense. 

Texto: Charles Scholl MTE: 22402/RS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *