Vivemos um período da história brasileira que exige de nós a ética da clareza e extrema responsabilidade cidadã para analisar, de forma consciente e sem fanatismos, a postura, os atos e os projetos dos candidatos que pleiteiam a gestão pública. As decisões tomadas nas urnas não são abstratas; elas produzem impactos profundos e imediatos no cotidiano coletivo, decidindo o rumo de nossa aposentadoria e a qualidade da saúde pública.
Para cada cidadã e cidadão deste país, é imperativo fixar que a aposentadoria não é um favor ou uma concessão benevolente, mas sim um direito inalienável de quem trabalhou e contribuiu durante uma vida inteira. A Previdência Social representa a proteção e a própria vida da nossa gente, existindo justamente para amparar as pessoas e garantir as condições básicas de sua sobrevivência. Diante desse princípio fundamental, a intenção manifestada pelo candidato Flávio de promover uma nova reforma da Previdência para desvincular o salário mínimo dos benefícios dos aposentados constitui-se em um verdadeiro crime social. Romper esse elo significa anular qualquer possibilidade de ganho real para os proventos, condenando quem já sustentou a nação a uma perda progressiva do seu sustento.
Esse projeto de desmonte se agrava ainda mais com a previsão de cortes de milhões e milhões no Orçamento da Saúde e da Previdência, articulada pelo mesmo candidato. Já conhecemos de perto a crueldade dessa cartilha através do exemplo deixado pelo governo Leite no Rio Grande do Sul, marcado pelo confisco sobre as aposentadorias de quem já havia contribuído a vida toda e pelo corte drástico de investimentos. Essa asfixia orçamentária resulta em um atendimento público deficitário, impondo a milhares de pacientes — sobretudo aposentados e idosos — a angústia de filas desumanas à espera de uma cirurgia. Da mesma forma, drenar os recursos da Farmácia Popular inviabiliza o fornecimento contínuo de remédios essenciais para as pessoas mais fragilizadas e necessitadas.
Como seres comprometidos com o bem comum e sujeitos de nossa própria história, não podemos silenciar diante do desmantelamento de garantias sociais basilares. As propostas de corte de verbas e esvaziamento previdenciário demonstram com nitidez que o candidato Flávio não pode ser o representante dos aposentados e aposentadas. Que a nossa memória histórica e a consciência social falem mais alto no momento da escolha, para que a força do voto sirva à blindagem dos direitos dos trabalhadores, das trabalhadoras para a preservação da vida com dignidade.
Selvino Scheibel





