Na última terça-feira, dia 9, o movimento Nossa Área – Movimento Pela Economia Solidária e o Coletivo de Arte e Cultura Há Braços realizaram um encontro estratégico para avaliar a caminhada realizada no ano anterior e estruturar as propostas para 2026. A reunião, ocorrida na residência de Rosângela Mendes de Ávila, serviu para consolidar a integração entre a produção intelectual da economia solidária e a força mobilizadora da arte comunitária em Esteio.

A História de um Abraço que Reconstrói
O Coletivo Há Braços nasceu em 2025 como uma resposta direta e solidária aos traumas causados pelas cheias de 2024, que devastaram o Bairro Novo Esteio. O grupo foi idealizado em um encontro de mulheres artistas no dia 4 de agosto de 2025, organizado pela doutora Daianny Costa, com o propósito de somar esforços na reconstrução material, estrutural e emocional da comunidade. O nome “Há Braços” foi escolhido propositalmente para simbolizar tanto a saudação de um abraço quanto a disposição coletiva de “somar braços” no trabalho de recuperação da dignidade local.
Desde a sua fundação, o coletivo utiliza a arte e a cultura como “elementos catalisadores de cognições sociais”, essenciais para promover a resiliência e enfrentar o isolamento depressivo pós-calamidade.
As Qualidades que Movem o Coletivo
A força do Há Braços reside na diversidade de saberes e no compromisso ético de suas quatro integrantes principais:
- Daianny Madalena Costa: Escultora, doutora e mestre em Educação, Daianny é a articuladora responsável por promover o encontro inicial do grupo e fundamentar as ações sob a ótica da ética do cuidado.
- Rosângela Mendes de Ávila (Rosângela Farofa): Escritora, professora, artista e artesã, Rosângela traz o vigor da literatura e do trabalho manual como ferramentas de registro da memória e geração de renda.
- Rosane Gouvêa: Ativista da educação, da cultura e da defesa do meio ambiente, Rosane é peça-chave na implementação de práticas de bioeconomia e ativação ambiental nos territórios.
- Isabel Sommer: Artista visual e herbalista, Isabel atua na produção de fitoterápicos, conectando o saber tradicional das plantas com a saúde e o bem-estar da comunidade.
Histórico de Ações e Parcerias no Novo Esteio
O Bairro Novo Esteio tem sido o principal laboratório de experimentação social do grupo. Em 15 de novembro de 2025, o coletivo, em parceria com a Nossa Área e a Comissão de Moradores, realizou a Feira Popular de Economia Solidária e Criativa. Mais do que um evento comercial, a feira foi uma práxis pedagógica que reuniu gerações para o plantio de um jardim comunitário e de árvores nativas na praça da Escola Irmã Sibila.
A escolha do local foi uma decisão estratégica da Comissão de Moradores, visando expandir o programa de plantio da escola para o espaço público, criando o que o coletivo chama de um “acordo de coexistência firmado com o futuro”. Nesta “engenharia social”, a Nossa Área atuou como a âncora estrutural, fornecendo o solo fértil da cooperação e da autogestão para que o potencial criativo do Há Braços pudesse florescer.
Com o planejamento iniciado nesta semana, o grupo reafirma seu compromisso de construir territórios democráticos de baixo para cima, provando que a economia solidária é o barco que permite à comunidade navegar para além das crises.
Por Charles Scholl (MTE: 22402/RS)




