Onde está a autenticidade do esteiense? Uma Reflexão sobre “aDeus nossos SONhoS”

O curta-metragem “aDeus nossos SONhoS”, dirigido por Lilian Martins Fontoura e lançado recentemente em Esteio, Rio Grande do Sul, apresenta uma crítica contundente e necessária sobre a comercialização da arte e a perda da essência criativa em prol de um sucesso efêmero. Financiado pela Lei Paulo Gustavo, o filme utiliza o cenário de uma banda de rock para explorar o dilema universal entre a autenticidade artística e a obsessão pelo lucro.

Lilian Martins Fontoura dirigiu o curta-metragem “aDeus nossos SONhoS”,

No centro da trama está o músico artista Din, que quer sucesso a qualquer preço. Nesse sentido, Din se utiliza das pessoas e despreza a verdadeira natureza da cultura e da arte. Ao utilizar inteligência artificial, descarta seus parceiros como uma mercadoria que não tem mais utilidade. Nesse cenário, o filme nos proporciona uma reflexão ética sobre o uso da tecnologia e como a técnica pode afetar a produção simbólica humana, compreendida como cultura. Sem entregar mais detalhes do filme, o curta-metragem merece uma abordagem que não está na sinopse, mas nas ações de quem o produziu. 

Lilian, Rodrigo, Igor, Marcelo e Raoni, integrantes do elenco “aDeus nossos SONhoS”

O casal esteiense Rodrigo Fontoura e Lilian Martins, assim como grande parte do elenco, são protagonistas da vida real no cotidiano da nossa cidade. Sua dedicação em produzir o documentário nos sinaliza um novo tempo para todos nós, em que as políticas públicas de cultura financiam a historicidade da nossa vida real. Essa historicidade presente no filme contribui com o esvaziamento de nossas neuroses coletivas ao tempo que constrói a nossa identidade no território em que vivemos.

Estreia do filme na Praça Coração de Maria

Antes desse filme produzido em Esteio, falar em produção cinematográfica na nossa cidade soava como algo impossível, até mesmo pelas pessoas mais ilustres e reconhecidas em Esteio. Essa equipe de produção mostrou para todas as pessoas desse mundo que é possível. Um constrangimento geral que se perpetua com a forma ignorante com que as autoridades esteienses se relacionam com a obra produzida. O cinema inaugurou a nossa cidade, desde o primeiro prefeito. No entanto, atualmente, o cinema tem se reservado a alguns trabalhos escolares liderados pelo professor Fanael, que nos salva da miséria cultural que nos tornamos.  

O curta-metragem “aDeus nossos SONhoS” é uma excelente contribuição ao nos mostrar de forma concreta as possibilidades culturais e artísticas da nossa comunidade que são sistematicamente ignoradas. Nesse sentido, o filme é uma afronta à ignorância que fragiliza nossa cultura. Os produtores e participantes dessa obra inauguram uma nova era, que pode revolucionar a forma como pensamos e vivemos a nossa cidade.

Vale assistir:

Por Charles Scholl – Mtb: 22402/RS

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