Nossa passagem por este mundo é breve, “como um abrir e fechar de olhos”, e carregamos o compromisso ético de sermos guardiões do futuro e de entregarmos uma sociedade mais justa e digna para as próximas gerações. Nessa busca constante pela nossa vocação ontológica para o “ser mais”, precisamos refletir sobre a ferramenta mais fundamental para a afirmação de nossas conquistas sociais e de nossa autonomia: o voto.
O voto supõe e requer essencialmente a democracia, pois sem liberdade não existe ambiente democrático e, sem democracia, qualquer processo eleitoral se converte em mera ilusão. A eleição consciente é o pilar de uma sociedade livre; nela, o eleitor tem o direito e o dever fundamental de fiscalizar, acompanhar e divergir dos governantes, enquanto o representante eleito tem a obrigação ética de prestar contas do seu trabalho com transparência, sem iludir o povo.
Se você, cidadão ou cidadã, sente-se indignado ou desiludido com a política e prefere afastar-se do debate, é justamente a hora de compreender que a transformação exige participação ativa. A apatia e o silêncio não alteram a realidade. O voto não tem preço, tem consequências diretas e profundas na vida cotidiana de todas as gentes: as decisões tomadas nas urnas definem o rumo de nossa aposentadoria, as condições e o tempo de trabalho, a segurança das nossas famílias, a qualidade da educação pública e o atendimento no SUS. Entregamos temporariamente o poder a alguém que decidirá por nós, tornando o voto ou a abstenção uma responsabilidade direta de cada cidadão.
Por essa razão, o ato de votar jamais deve ser negociado ou convertido em balcão de troca de favores, clientelismo ou meras relações de amizade e estimação. Quem vende ou negocia o próprio voto contribui diretamente com a corrupção e carrega a mesma parcela de culpa dos corruptos. Da mesma forma, anular o voto é abrir mão da capacidade de cobrar e exigir políticas públicas do poder público. O voto deve ser sempre livre, crítico, consciente e alimentado pela memória histórica.
Diante do período eleitoral, nosso dever ético exige pesquisar a trajetória e a vida política de quem pede a nossa confiança. Precisamos examinar com a ética da clareza a postura e as votações do candidato em leis e projetos fundamentais: ele atuou ao lado dos trabalhadores, da defesa da educação pública gratuita, do fortalecimento da saúde universal, da dignidade humana e dos direitos sociais, ou colocou sua representação a serviço do grande capital e dos privilégios de uma minoria?
Se em algum momento surgir a tentação de desacreditar na importância do voto, pense nas futuras gerações, nos seus netos, netas e no destino do nosso país. O próximo ciclo eleitoral exige responsabilidade com o amanhã. Que saibamos trocar a desilusão pelo compromisso cidadão, utilizando a força do nosso voto para construir uma nação soberana, democrática e verdadeiramente justa para todo o povo.
Selvino Scheibel





