Estamos em pleno período eleitoral e é o momento que precisamos refletir de forma didática e profunda sobre os pilares que sustentam a nossa convivência social: a política, a ética e a integridade. Longe de serem conceitos distantes das salas de aula ou dos gabinetes políticos, eles são as engrenagens invisíveis que definem a qualidade da nossa vida diária.
Para compreender a política, devemos resgatar a sua raiz mais bonita. Ela nasce da palavra grega Polis, que significa cidade ou comunidade. De maneira simples, a política não se resume ao período eleitoral; ela é a própria comunidade de vida. É a forma como nos envolvemos no trabalho, na nossa religião, no nosso bairro e nas relações cotidianas. Trata-se da arte de organizar a vida coletiva para que possamos continuar existindo e coexistindo, garantindo que a fúria e a lei do mais forte não vençam nem extingam aquele que é diferente de nós. Dentro desse grande ecossistema, a política partidária surge como uma ferramenta institucional legítima e absolutamente necessária para viabilizar as decisões do Estado.
O grande perigo contemporâneo reside na visão distorcida sobre a política hoje. Tem se consolidado uma narrativa prejudicial de que a política é algo inerentemente sujo, desprezível e sinônimo de corrupção. Didaticamente, precisamos entender o efeito colateral dessa mentira: ao acreditarmos que a política é um pântano impuro, nós nos afastamos dela e deixamos de participar. Essa apatia é extremamente nociva. Quando os cidadãos de bem silenciam e se retiram da cena pública, eles abrem um espaço precioso para que uma minoria de políticos corruptos se aproveite da situação em benefício pessoal, agindo sem constrangimentos e sem barreiras. A não participação do povo é o adubo da corrupção.
Para guiar nossa atuação nesse cenário, precisamos da ética. Embora pareçam sinônimos, há uma diferença clara e didática entre ética e moral: a ética é o conjunto de princípios e valores que guardamos internamente para orientar nossas escolhas; já a moral é a ação prática, as escolhas reais que fazemos no dia a dia com base nesses princípios. Devemos ser sujeitos éticos em todos os espaços — na escola, no comércio ou no governo —, independentemente do tamanho do nosso poder ou da nossa profissão. A antiética, que na esfera pública chamamos de corrupção, nada mais é do que a tentativa imoral de tirar vantagem, individual ou coletivamente, sobre as outras pessoas.
Por fim, é preciso desmistificar o funcionamento da corrupção. Ao contrário do que diz o senso comum, a ocasião não faz o ladrão; ela apenas dá a oportunidade que revela o corrupto. A decisão de desviar-se da retidão é uma escolha de caráter anterior ao momento da oportunidade. Embora seja verdade que o poder seduza para a corrupção, ele jamais obriga ninguém a ser corrupto. Por essa razão, centralizar a corrupção apenas na figura do político é um erro tático, muitas vezes cometido de forma proposital para desviar a atenção de outras áreas de convivência onde os deslizes morais também acontecem.
Felizmente, a imensa maioria das pessoas, ao deparar-se com a oportunidade de obter uma vantagem indevida, opta por não o fazer. Não podemos deixar que a manifestação de uma minoria barulhenta e sem escrúpulos nos faça acreditar que a maioria das pessoas é desonesta. Como guardiões da vida e construtores do futuro, nossa missão ética é resgatar a política como a morada do bem comum, atuando com a clareza de que nossa presença ativa é a única força capaz de transformar a sociedade e fazer a justiça prevalecer.
Selvino Scheibel





